Dougie’s P.O.V.
Seguimos a voz da Prima do Harry até um cômodo bem iluminado, onde ela e Luisa cozinhavam alegremente, e conversavam. Eu parei na porta enquanto eles entravam, Luisa estava lá, eu não sabia que estaria.
- Então vocês resolveram fazer bagunça na minha casa? – Harry perguntou olhando para a sala. Eu me virei, ela estava de cabeça para baixo.
- Foi idéia da Alessandra. – Luisa falou com uma cara sapeca.
- Mais quem derrubou o abajur foi a Luisa. – Lele dedurou enquanto mexia em alguma coisa que a gente não conseguia ver.
- Eu perdi o equilibro, desculpe Harry.
- Ah não foi nada, eu não gostava dele mesmo.
- Aaah, O QUE? – Lele falou alto. – Você me disse que amava aquele abajur.
- Eu menti. – Harry disse na cara dura. – Então que vocês fazem ai?
- Pasteeeis! – Luisa respondeu animada.
- Ei Dougie, colou os pés no chão? – Lele me perguntou e eu ri entrando na cozinha
- Não, só estava esperando você me convidar. – Brinquei me aproximando.
- Adoro pasteis. –Harry falou.
- Não vai ter nada pra você. – Lele retrucou.
Harry fez uma cara de coitado que até eu fiquei com pena.
- Nossa Lele, que malvada, a gente vai comer tudo e não vai sobrar nada pra você né Dougie? – Luisa pediu e Lele se raxou de rir.
- Claro, e se sobrar a gente vai levar pra casa só pra não deixar aqui e você poder assaltar a geladeira a noite.
- Como vocês são malvados. – ela disse se fingindo de emburrada, e nós rimos, os quatro.
Os pasteis ficavam prontos enquanto o papo ia e vinha, falamos sobre a reunião, elas contaram que mexeram nas fotos velhas do Harry achando algumas da banda, Harry quase pulou em cima delas, Luisa foi obrigada a falar sobre o Brasil e a gente acabou falando do Tom. Quando o assunto chegou ai o telefone tocou e Harry foi atender, Lele foi ao banheiro deixando apenas eu e Luisa na cozinha.
- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, talvez vendo minha cara de magoa.
- Não, por que?
- Você parecia super animado a alguns minutos atrás... – Luisa constatou.
- Ah sim, ah quer dizer, eu não sei até onde você sabe. – ela riu de leve.
- É realmente, eu sei de muita coisa sobre você. – Eu a olhei com cara de “falei”. – Mas adoraria saber a sua versão de cada uma delas. – eu sorri sem nem perceber que o fazia.
E ai eu contei pra ela, contei sobre tudo que me incomodava na situação que eu me encontrava, contei o quanto queria minha antiga casa, contei sobre o quanto eu me sentia triste sobre Tom, e sobre Gio que também era minha amiga e nem quis ouvir minha versão da história, contei para ela de um jeito que eu nunca havia contado para ninguém, falei de sentimentos que nem tinha percebido que sentia, e ela ouviu tudo, comentou e me aconselhou, eu contei para ela tudo e nem mesmo sei por que.
Harry e Lele sumiram, eu não sei por quanto tempo, por que no momento “Sou Dougie e estou desabafando” eu perdi toda noção de tempo, só sei que deve ter sido bastante, eu falei muita coisa.
- Talvez a Lele tenha ido descarga a baixo e quando o Harry foi salvar ela ele acabou sendo puxado em direção ao esgoto também. – eu ri alto.
- Ou talvez eles foram abduzidos por aliens malucos.
- Só se forem esses ai da tua tatuagem. – ela apontou para meu peito e eu sorri. – E se tiver um vortex que levou os dois para outra dimensão.
- Um lugar todo azul cheio pôneis? – meus olhos brilharam, e ela riu.
- É, onde o céu é vemelho e não existe guerras nem preconceitos.
- E ets. – eu sorri.
- E a gente juntou as duas pessoas mais viajadas de todo o planeta. Que você acha Lele?
- Pelas teorias deles, eu tenho certeza.
Luisa’s P.O.V.
Depois de comermos os pasteis, limparmos a cozinha, eu que botei o pessoal pra trabalhar, há, era hora de ir para casa, dessa vez não me deixaram pegar um táxi, Dougie quis me levar, eu aceitei depois de reclamar um pouquinho que ele não deveria fazer isso, e que não precisava.
Entramos no carro eu precisava pensar em alguma coisa para falar, não queria que algum tipo de silêncio se instalasse, seria estranho, mais era tão difícil pensar perto dele, só o ser dele já me deixava nervosa, acho que Dougie me deixaria nervosa sempre, alguma coisa nele, no jeito que ele me olhava, ou que ele se referia a mim me deixava mais nervosa do que eu jamais imaginei.
- Então, à quanto tempo vocês estão aqui?
- Vai fazer exatos quatro meses semana que vem.
- Legal, ta gostando? – Dougie pedia alternando sua visão entre mim e a estrada.
- Muito, eu não sei, era meu sonho, não sei como não gostar. E é o sonho de muita gente, me sinto privilegiada.
- Nossa...
- Ainda mais com o que está acontecendo agora. – eu olhei para ele sorrindo apenas com os olhos.
- Você diz conhecer a gente? – ele perguntou como se duvidasse que eu desse tanta importância a isso.
- É, conheço muita gente que faria loucuras para estar onde eu estou no momento. – ok, eu seria uma dessas pessoas se não fosse à pessoa que estava falando a sentença.
- E você faria? – viado, olha o que ele foi me perguntar.
- Depende. – eu tentei desconversar.
- Pode falar, não vou te achar louca eu algo assim.
- Depende da loucura sim. – eu disse envergonhada. – Eu faria muita coisa. – E eu me perguntava que tipo de macumba eu consegui fazer para estar onde eu estava.
- Então esse é seu sonho? – o maior deles, eu respondi em pensamento.
- Um deles. – eu disse sorrindo e esperando que ele não visse minhas bochechas coradas.
- Fascinante. – ele respondeu
- Que você quer dizer com isso?
- É fascinante saber que no momento estou realizando o sonho de alguém. Faz-me sentir importante. – ele riu como se fosse ridículo, acho que não sabia o quanto era importante em minha vida.
Eu apenas ri, já tinha falado demais para uma noite só, assunto foi trocado por algo como o tempo estava ficando mais quente conforme maio ia se aproximando do fim. Logo chegamos ao apartamento, não era tão longe.
Despedi-me de Dougie e entrei esperando encontrar as meninas dormindo, eu não sabia quando ia contar, mas não seria tão cedo, não agora que todas as coisas que eu sentia estavam confusas.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
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