quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

9 - Bons tempos nunca parecem tão bons

Dougie’s P.O.V.

Estacionei em um lugar perto do centro e comecei a andar pela cidade, vendo como as pessoas se comportam em grupos e, ok mentira, resolvi dar uma espairecida depois de uma conversa tensa com Fletch ao telefone, uma chuva estava se formando então logo minha caminhada teria que ter fim.
Andava sem destino, isso é verdade, foi quando avistei Luisa ao longe, ela olhava para o chão, parecia um pouco abalada, e tive que olhar duas vezes por que não a reconheci, seu rosto se contorcia um uma careta de confusão e tristeza, não o habitual sorriso e olhar sonhador.
Esperei ela se aproximar para fazer algum contado se é que ela estava com a cabeça na terra, pois não parecia.
- Hey Luu! – eu disse quando ela estava quase ao meu lado.

Luisa’s P.O.V.

Eu nem ao menos vi Dougie ao longe, e apenas me dei conta de quem falava comigo quando ouvi sua voz, ele me deu um Oi alegre e logo depois sua feição se transformou em preocupação, eu ia responder, mas assim que abri a boca para cumprimentá-lo, todas as lagrimas presas em meus olhos caíram, me senti um pouco tonta por segurar aquele sentimento de desespero por tanto tempo, e agora finalmente deixa-lo sair, Dougie num impulso me segurou e então me abraçou, eu o abracei forte e chorei, chorava enquanto lembrava da coisa toda, chorava por finalmente me sentir segura em algum lugar, os braços dele me davam apoio e eu não precisava de palavras de consolo nem mesmo de um olhar, apenas sentir seu corpo contra o meu, querendo me apoiar era tudo.
Preocupada demais em parar com o berreiro no meio da rua, perdi as contas de quanto tempo ficamos naquela posição, e só dei por mim quando Dougie estava me arrastando até seu carro, ele abriu a porta e me sentou lá dentro, e antes fechar a porta e de poder dar a volta para entrar em seu lado, eu segurei seu braço, ele leu em meus olhos e falou bem baixinho:
- Vem, vamos pra minha casa. – eu queria sorrir mais não consegui, apenas assenti e deixei-o partir, o caminho todo foi silencioso, eu olhava pela janela vendo a chuva lá fora sentindo meus olhos choverem igual em minhas maças do rosto.
Dougie estacionou, e novamente veio me tirar no assento, dessa vez apenas segurou minha mão, e aquele ato trouxe um conforto quase tão bom quanto o abraço, me guiou até a porta, e antes de entrar deu uma olhada pelo canto do olho, eu ainda estava um pouco aérea, mais dessa vez consegui sorrir para ele.
Fomos até a sala, onde Dougie me fez sentar no sofá, quando ele sentou também eu suspirei e soltei um riso baixo ao perceber uma coisa:
- Hey. – falei baixinho, ele me encarou. – Você percebeu que a gente não trocou uma palavra até aqui.
- Aah Luisa, estragou toda a brincadeira. – Dougie disse parecendo realmente chateado, eu sabia que era apenas bobeira.
- Mais que brincadeira? – me fiz de desentendida.
- De mímica que a gente tava brincando.
- Aah sim, e quais são as regras? – perguntei divertida.
- Você me fala o que ta acontecendo e eu ouço quieto.
- Dougiie. – eu disse rindo, ele apenas assentiu com os lábios cerrados. – Você não vai falar? – ele negou. – Aah seu bobo. – agora me encarou esperando minha reação. – Eu terei que contar certo? – ele assentiu, é pelo jeito ele realmente não falaria tão cedo.

Dougie’s P.OV.

- Ok. – ela respirou fundo tentando não chorar mais. – Há dias, bom desde que conheci você, eu venho mentindo para minhas amigas, a gente tinha brigado no primeiro dia que nos vimos, e então elas resolveram “nada de mcfly” por que vocês foram o motivo da briga. – eu ouvia tudo em silencio, mais doido para bombardeá-la de perguntas. – E a coisa vem ficando pior a cada dia, eu queria tanto compartilhar tudo com elas, e eu me sinto uma falsa. Agora minha irmã resolveu sumir do mapa, não manda noticias a uns quatro dias, começou quando a gente se viu aquele dia no parque. Hoje o trabalho foi um horror, eu sinto que minha cabeça vai explodir, e agora contando as coisas para você tudo parece tão banal. – ela soltou uma risada nasal.
- Não é banal. – eu disse. Ela sorriu se iluminando.
- Você não é acha? Eu faço tanta tempestade em copo d’gua. – Luisa apontou dramática. – eu ri de leve.
- Ah, mas isso não significa que seus problemas devam ser menosprezados.
- Talvez. – ela gostava de falar isso né. – Bom, mas chorar não vai me levar a lugar algum.
- Talvez. – eu a imitei fazendo-a rir.

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